Avatar

Além do Cabelo
Câncer não é escolha. Bom humor é.

08.abr.2015

Dia Mundial de Combate ao Câncer (e ao preconceito!) – ano II

Por Flavia Maoli Nenhum comentário , , , ,

Hoje é o Dia Mundial de Combate ao Câncer – data de conscientização sobre essa doença cujo número de casos, infelizmente, vem crescendo ano após ano.

Ano passado aproveitei essa data para falar sobre o preconceito que muita gente tem – tanto em relação à doença, quanto em relação às pessoas doentes! Sim, vocês leram bem: existe preconceito sim, e eu inclusive citei dois casos marcantes que aconteceram comigo (leia aqui).

dmcc 2

 

Aí fui pesquisar sobre a palavra Cancerofobia… e no Dicionário Informal tem a seguinte definição:

 

Medo intenso e até pânico de estar com câncer. 

Acho que essa definição está bem superficial para uma atitude tão corriqueira. Eu explico: sim, existem pessoas que tem muito medo de estar com câncer (mesmo não estando!), mas esse termo poderia englobar ainda o preconceito.

Cancerofobia: medo, sabe?

Sabia que tem gente que não faz seus exames porque tem medo de “descobrir alguma coisa” – mesmo sabendo que o diagnóstico precoce é a melhor arma para combater o câncer?

Sabia que tem gente que não fala a palavra CÂNCER? Infelizmente já presenciei essas situações – com pessoas jovens e inclusive com profissionais da saúde! Gente, é só uma palavra, repita comigo: CÂNCER! Viu? Não aconteceu nada e você quebrou um pouquinho mais o preconceito e o medo de falar!

Sabia que tem gente que faz cara de peninha quando vê alguém que está em tratamento? Trata como coitadinha, como se estar com câncer fosse um castigo divino ou uma sentença de morte.

Vou repetir o que disse ano passado: pare de sentir pena das pessoas e comece a ter compaixão! Não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você!

Apenas PARE de ter pena dos outros – e demonstrar isso!

Confesso que aprendi muito sobre ser/sentir-se diferente quando tive câncer. Até aquele momento, eu nunca tinha feito parte de uma “exceção”: sou classe média, branca, não tenho nenhuma dificuldade física, uso roupas comuns. Ou seja, raramente notava algum olhar curioso ou preconceituoso vindo na minha direção.

As pessoas mudam quando coisas grandes acontecem em suas vidas,

Quando comecei a sair de lenço por aí, via vááááários olhares de peninha (alguns de compaixão, o que é bem diferente), como se eu pudesse ler a pessoa pensando “Coitadinha, vai morrer!”. Quando eu saía careca ou de máscara então, nooooossa senhora! Via gente de todas as idades me olharem como se eu tivesse uma doença contagiosa ou estivesse querendo ofender alguém com a minha careca!

Hoje, eu me policio muito para não ter pena das pessoas, e tratá-las da maneira mais normal e cordial possível. Porque eu aprendi que ninguém sabe o que irá acontecer amanhã. Porque eu aprendi que todos vamos morrer, então ter pena porque alguém está em uma situação aparentemente mais difícil do que a nossa não nos faz superiores. Porque o que todos queremos é ser feliz e curtir a vida, sem ser lembrado pelos olhos alheios que a vida é difícil.

Li uma frase do Fabrício Carpinejar hoje que adorei – e tem tudo a ver com o combate ao preconceito:

11083678_836558646422382_1133089999740352888_n

Estou repetindo o tema do ano passado, e sei que provavelmente ano que vem terei que tocar nessa tecla novamente. Mas não tem problema: é só insistindo no assunto que as pessoas param para pensar e mudar sua visão sobre um determinado assunto! Infelizmente, o número de casos de câncer vem crescendo exacerbadamente a cada ano. Felizmente, cada vez mais pessoas falam sobre isso, mostram suas carecas pelas redes sociais e pelas ruas, seguem curtindo suas vidas. E que assim seja! 

 

Voltar

Relacionados

  • Problema de memória? Você pode estar com “chemo brain” Leia Mais
  • A polêmica da carne – o que você precisa saber Leia Mais
  • Respiração Holotrópica – um método de autoconhecimento Leia Mais

COMPARTILHE


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *