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Além do Cabelo
Câncer não é escolha. Bom humor é.

12.set.2016

Histórias que Inspiram – Natani Schirmer

Por Flavia Maoli 2 Comentários , , , , ,

OBA! Vamos aproveitar que setembro é o mês dedicado à Conscientização dos Linfomas para ler uma História que Inspira? Hoje vocês vão conhecer a Natani Schirmer, que encarou o senhor Hodgkin sem abrir mão de seus sonhos!

 

“Minha história com o câncer começou em uma consulta onde o médico disse ser necessário fazer cirurgia para a retirada de um tumor. Na verdade, eu só ouvi a palavra ‘cirurgia’ e entrei em desespero – e deixei o médico sem reação, a ponto dele não conseguir me explicar mais nada. Passado o pavor inicial de ter que encarar bloco cirúrgico, anestesia, enfermeiros, hospital… a cirurgia foi marcada, e nesse dia tentei me manter o mais tranquila possível. Desde então me dei conta de que eu seria de capaz de lidar com o que estava por vir, ainda que eu não tivesse noção de como seria.

Dias depois da biópsia, com curativo no pescoço - mas trabalhando, porque a vida não pára!

Dias depois da biópsia, com curativo no pescoço – mas trabalhando, porque a vida não pára!

Dias depois, na consulta pós cirurgia, recebi o diagnóstico: Linfoma de Hodgkin – seguido das palavras câncer, quimioterapia e a frase de consolo ‘tudo vai ficar bem’. Marquei horário com um Hematologista, mas até o dia da consulta chegar, o Google me ajudou na descoberta desse ‘mundo novo’ – quer dizer, novo pra mim, pois durante as minhas pesquisas descobri tantas outras pessoas que já haviam passado por isso, ou ainda estavam passando. E acreditem, são muitas! Li diversos blogs recheados de histórias, dicas, conselhos, sofrimentos e esperança.

Dois dias depois do meu aniversário de 25 anos, lá estava eu fazendo minha primeira quimioterapia. Fiz quatro sessões. Ficava enjoada nos dois primeiros – e intermináveis – dias. Não sentia fome e acabava comendo por obrigação – o que acabou me ajudando a melhorar minha alimentação, já que comidas gordas não me apeteciam.

Sempre disse e continuo dizendo que o pior dos efeitos colaterais foi a perda dos cabelos. O primeiro dia em que eles começaram a cair no banho foi o mais difícil e assustador. Percebi que tinha muito mais cabelo do que sabia, pois demorou pra que eles me abandonassem por completo. Resisti muito pra raspar a cabeça, mas tomei a decisão de usar lenços – ainda com cabelos – pra ir me acostumando com o novo visual. Um mês depois do início da queda dos fios, vivenciei a tão temida cena da Carolina Dieckmann. Tá, não teve música triste e eu nem chorei tanto como ela (até porque já tinha feito isso no primeiro dia, no banho). Confesso que a experiência com os cabelos me fez ficar triste e chorar alguns dias antes de dormir. No entanto, a vida seguiu.

Por incrível que pareça, um dia depois de o meu cabelo começar a cair eu ainda tinha tudo isso de cabelo!

Por incrível que pareça, um dia depois de o meu cabelo começar a cair eu ainda tinha tudo isso de cabelo!

Continuei trabalhando, fazendo o estágio da faculdade e o bendito TCC. Aliás, minhas atividades diárias e o foco na formatura  me ajudaram a enfrentar a doença. E, é claro, todo carinho, atenção e compreensão das pessoas próximas a mim – se eu já era chata e mimada antes, imaginem agora! Hahaha. 

Com a minha mãe amada, dividindo a alegria de realizar um sonho!

Com a minha mãe amada, dividindo a alegria de realizar um sonho!

 

Como parte final do tratamento, precisei fazer 10 sessões de radioterapia (como prevenção, tendo em vista que o ultima exame do PET indicava que não havia mais resquícios da doença). De certa forma, os efeitos da radio me incomodaram mais, pois não conseguia me alimentar e sentia dor até pra tomar água. Isso aconteceu devido ao fato do tratamento ter sido realizado na região da garganta – e também do pulmão. Perdi 8 quilos nessa função. 

Cheguei a pegar uma peruca emprestada no IMAMA, mas não me adaptei à loirice...

Cheguei a pegar uma peruca emprestada no IMAMA, mas não me adaptei à loirice…

 

... e acabei comprando uma, mais parecida com o meu cabelo!

… e acabei comprando uma, mais parecida com o meu cabelo!

 

Terminei a radioterapia dia 4 de janeiro, e no dia 6 de agosto de 2016  realizei meu sonho de me formar em Psicologia. Ao final estava na praia comemorando com os amigos as mini férias com sensação de liberdade (do tratamento, do trabalho, da faculdade). Em abril, já pensando na minha formatura, resolvi colocar megahair – afinal, queria me sentir linda nesse dia tão especial! O resultado ficou super natural, estou adorando ter cabelão!

 

Enfim, psicóloga!

Enfim, psicóloga!

Não acho que eu seja forte ou guerreira como algumas pessoas falam, tão pouco sei um segredo pra conseguir lidar tão bem com tudo isso. Porém, posso afirmar que tenho coragem e muita vontade de viver! Meus 25 anos me permitiram viver muita coisa, sonhar com tantas outras e ouso dizer: quero muito mais! Dia 15 de setembro completo 26 anos, e poder compartilhar aqui minha história e relembrar tudo o que aconteceu nesse último ano é uma linda maneira de encerrar esse ciclo!”

 

Muito obrigada por dividir sua história conosco, Natani! Sei beeem como é passar por tudo isso, e o quanto ler depoimentos de pessoas que seguiram em frente pode nos dar força nas horas difíceis! Obrigada mesmo!

 

Beijos e até semana que vem, 

 

Flavi

 

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2 respostas para “Histórias que Inspiram – Natani Schirmer”

  1. Gisele Leal disse:

    Uma linda história, que me indentifico muito, pois é tudo que estou passando no momento. Que Deus as abençoe sempre.

  2. Nádia Vazata disse:

    Parabéns, Nati!!! Tua coragem realmente nos inspira!!!

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