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Além do Cabelo
Câncer não é escolha. Bom humor é.

26.out.2015

Outubro Rosa: Claudia Schilling

Por Alice Falleiro 4 Comentários , , , , , , , ,

OBA! Hoje as dicas e truques da programação especial do blog para o Outubro Rosa – mês de conscientização sobre o câncer de mama – estão pra lá de especial. É que vamos compartilhar com vocês a entrevista da nossa querida camaleoa Claudinha, cheia de estilo e puro charme! Confiem em mim, está imperdível!

 

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Nome: Claudia Schilling, mas pode me chamar de Claudinha 🙂

Idade: Tenho 35 anos.

Que fase está do tratamento? Estou quase no final. Falta 1 quimioterapia (!!!) e as sessões de radioterapia, que serão 30.

 Sua frase preferida é: Eu tenho várias, muitas. Sou colecionadora de palavras e frases desde criança. Tudo o que eu acho que é importante, ou tudo que me toca, eu anoto. Ou se eu leio algo, ou se eu ouço algo. Para isso eu tenho 3 cadernos: um para escrever para o Universo: tipo papo reto, perguntas e respostas, outro para frases, letras de músicas, poesias que eu vejo por aí, e um outro que tá sempre colado em mim, que tem desde astrologia a receitas vegetarianas, misturadas com frases positivas e de fé. Todo mundo deveria ter pelo menos um caderno assim, despretensioso, para ajudar a organizar as idéias e emoções. Prometo que ele vai se tornar o seu best friend nessa fase.

A frase que vem me acompanhando por esse momento de vida vem do meu livro favorito, Comer Rezar e Amar (quem ainda não leu, leia!):

 

“Você nunca deveria de dar a si mesmo a oportunidade de se entregar porque, quando o faz, isso se torna uma tendência, e nunca mais para de acontecer. Em vez disso, você precisa treinar em ficar forte.”

 

É isso que eu faço todos os dias quando eu acordo: me preparo para mais um dia de dedicação e esforço. Como? Fazendo desse limão uma limonada. É bem clichê, mas é a mais pura verdade. Por isso, faça sempre o melhor! Não fique se lamentando, ou questionando por que comigo. Não tente achar um culpado (eu passei um tempão fazendo isso e vi que era perda de tempo). Faça as pazes com seu passado, passe a régua nas coisas que não te trazem mais alegrias, se afaste de tudo que te faz mal, se dê o direito de dizer não. Se perdoe. Se conecte com o Universo, tenha fé! Diga sim à vida, diga sim ao tempo, diga sim a maturidade emocional que essa experiência vai te trazer. Seja um aprendiz da vida, seja um aprendiz da superação! Acredite em você!

 

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Além do Cabelo: Como foi para você a perda do cabelo? Você raspou antes de cair, esperou cair para raspar ou deixou o cabelo cair naturalmente sem intervir?  

Claudinha: Fiquei bem chateada de que iria perder o cabelo, relutei bastante e decidi esperar cair para raspar, porque no fundo havia uma esperança de que ele não cairia. Era o tal de “ver para crer”. Um dia no banho, eu vi que já não tinha mais jeito, liguei para uma amiga e fomos a um salão passar a máquina. Para minha surpresa, raspar a cabeça foi uma experiência libertadora! Me vi desnuda e me achei linda. Me senti muito forte, segura e dona do meu destino.

 AdC: Você recomendaria a outras pessoas fazerem o que você fez no processo da queda de cabelo? 

Claudinha: É difícil de aconselhar, porque cada pessoa tem o seu “timing”, cada uma deve sentir se está pronta ou não. Lembro que me irritava MUITO quando as pessoas me diziam “E aí, não vai cortar o cabelo não?! Até porque cabelo cresce!”. Mandava todo mundo ir procurar o seu respectivo coiffeur para raspar também, já que era tão fácil falar, né?! Raspei quando me senti pronta! Era cabelo para tudo que é lado! Só acho que não pode fazer disso um drama. 

Claudinha logo depois de raspar a cabeça - ficou linda, né?!

Claudinha logo depois de raspar a cabeça – ficou linda, né?!

AdC: Que mudanças físicas você teve por causa do tratamento? Dentre elas, qual (is) te incomoda(m) mais? 

Claudinha: Além de cair as madeixas (essa já é bem ruim!) , as minhas sobrancelhas e cílios ficaram falhados. Mas isso a gente dá um jeito, né?! Nada que alguns truques de maquiagem não resolvam. Para mim o pior foi a pele ressecada e as unhas frágeis e quebradiças.  

 

AdC: Como você prefere sair de casa? De lenço, de peruca, careca, de turbante…? 

Claudinha: Depende, mas a maioria das vezes eu saio de casa de lenço. É mais rápido e prático.Tenho  de todas as cores e estampas. Agora, nesse inverno, que teve um frio super rigoroso e muita chuva, gostava também de usar o lenço por baixo da touca (aquelas estilo boina francesa), pois além de ficar charmoso, esquentava mais (eu sinto um frio absurdo nas orelhas! Risos).Quando eu tenho um evento mais “elaborado”, eu gosto de ir de peruca. Mas aí, tudo tem que ser pensado com bastante antecedência. Um dia deixei para escolher o modelito na última hora e ferrou. A roupa não combinava com a peruca ou vice versa, foi um tal de troca de roupa, troca de peruca…no final fui de lenço e cheguei uma hora depois no evento. Depois disso aprendi a lição. (risos)

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Peruca + gorrinho = dupla perfeita para o inverno!

 

AdC:  Você teve algum evento importante (casamento, formatura, festa de aniversário) para ir durante o tratamento? Que look você escolheu?

Claudinha: Sim, no dia do meu aniversário! Eu fiquei em casa, mas achei que merecia um look bem divoso! Me inspirei na Marlyn Monroe! Só faltaram os diamantes, mas achei que seria muita ostentação! Hahaha

 

Comemorando os 35 anos no melhor estilo DIVA!

Comemorando os 35 anos no melhor estilo DIVA!

 

AdC:  O que você tem feito para melhorar sua autoestima durante o tratamento 

Claudinha: Um tratamento de câncer te coloca num padrão de beleza circunstancial. Você não está mais no padrão de beleza estabelecido socialmente, que é dos cabelos longos, das sobrancelhas delineadas ou dos cílios gigantes. Sempre fui muito vaidosa e, no começo, estava apreensiva em relação a isso. Pensava, e agora? Mas isso, de certa forma me fortaleceu e é uma experiência enriquecedora, porque eu sinto que é possível ser bela, ser forte, ser atraente, atrair olhares para si não estando no “padrão”.  Essa experiência também mudou radicalmente meu estilo de vida. Se por um lado fica mais difícil se achar bonita sempre, por outro eu me sinto muito mais segura em estar tomando todas as providências e medidas necessárias para levar uma vida mais saudável; e isso tem um reflexo direto na aparência externa. Faço Yoga, medito todos os dias, fui a uma nutricionista para reavaliar minha alimentação, frequento terapia em grupo. É uma experiência tão enriquecedora que ela te reformula como um todo, faz você rever toda a sua vida, inclusive reavaliando hábitos: físicos e mentais. Essa reformulação é com certeza uma das coisas que contribui para você se sentir bem, para a autoestima, para que você se sinta mais bonita e de fato, FIQUE mais bonita. A beleza acaba acontecendo naturalmente, e é de dentro para fora. 

 

Com uma das 9 - NOVE - perucas que arrecadou com as amigas!

Com uma das 9 – NOVE – perucas que arrecadou com as amigas!

 

 AdC: Você usa lenços? Qual sua amarração preferida? Como você faz para combinar o lenço com a roupa – tem alguma dica para nossas leitoras? 

Claudinha: Minha amarração favorita é aquela que dá o nó no topo da cabeça e prende atrás. No começo, me atrapalhava muito com os lenços e tinha o passo a passo sempre junto a mim, para me orientar nas amarrações. Hoje virou rotina e tiro de letra. E tenho certeza que depois que terminar o tratamento, vou continuar usando lenços. Gosto de um combinado descombinado. Adoro listras com estampa de outra cor, ou quando em um look todo preto, gosto de algo bem colorido.

 

Lembram da peruca Nati, que a Flavi usava durante as quimios? Pois agora ela está sob os cuidados da Claudinha, que prometeu levá-la para passear por aí! <3

Lembram da peruca Nati, que a Flavi usava durante as quimios? Pois agora ela está sob os cuidados da Claudinha, que prometeu levá-la para passear por aí! <3

AdC: Você já saiu ou tem saído com peruca? Se sim, como você descreveria a sensação de sair em público pela primeira vez? Tem alguma história engraçada ou surpreendente para contar? 

Claudinha: A peruca que eu mais gosto e mais uso é de franjinha, meio estilo anos 70. Eu chamo ela de Jane, com referência a Jane Birkin. E como adoro fazer uns looks meio “new age”, às vezes parece que saí direto do That 70’s Show.

Bom, mas a estória é que um dia eu estava saindo do hospital para pegar meu carro, que estava estacionado na rua. Vinha caminhando, quando o guardador saiu não sei de onde, pulou na minha frente e me deu um baita de um susto: “Cara, eu te vi caminhando lá de longe e parecia que você estava saindo de um túnel dos anos 70. Você curte Janes Joplin?”. Fui entrando no meu carro, fechei a porta, ele se escorou no meu vidro e mandou essa: “Você parece um festival, tipo já te vi em Woodstock!” Eu não conseguia parar de rir. Aí mandou de novo: “Mas você curte ou não Janes Joplin?” E eu respondi: “Cara, eu acho que ela grita demais, eu gosto mesmo é de Led Zeppelin”. E ele “Caraaaa, ganhei meu dia! Nem precisa me pagar nada. Peace and love pra ti.” Adorei! Hahahaha

 

Participando do Projeto Camaleão, em agosto desse ano, com Jane, a peruca preferida.

Participando do Projeto Camaleão, em agosto desse ano, com Jane, a peruca preferida.

 

AdC: Você já saiu careca em público? Como se sentiu? Tem alguma dica para quem quiser arrasar no look carecosa? 

Claudinha: Quando os cabelos caíram de verdade (porque havia raspado na  máquina 1) e fiquei carecosa mesmo, nem cogitava em sair de casa sem lenço! Achava que sempre poderia encontrar alguém conhecido, e que essa pessoa iria me ver sem cabelo, e para mim seria a treva. Quanta bobagem! Eu de novo não estava era pronta! Dois amigos me incentivaram muito, dizendo que eu tinha que passar por essa experiência pelo menos uma vez na vida! Dois dias depois, saí na corrida para ir ao supermercado e me dei conta que estava sem lenço. Já no elevador, fiz a Ludmila e embalei um “É hoje!”. A primeira pessoa que eu encontrei foi o porteiro. E ele, quando me viu, abriu um sorriso tão fraterno, como estivesse me dizendo: “É isso aí, garota!”. Depois disso, às vezes saio carecosa. Adoro usar brincos de pedras turquesa ou de pérola, porque fica bem feminino. Ou também gosto de amarrar só uma faixinha de lenço com um laço.  

 

Em julho, Claudinha foi modelo para uma obra do artista Theo Felizzola. O quadro está sendo leiloado e a verba será revertida para o Projeto Camaleão! :)

Em julho, Claudinha foi modelo para uma obra do artista Theo Felizzola. O quadro está sendo leiloado e a verba será revertida para o Projeto Camaleão! 🙂

 

AdC: Que dica de maquiagem e/ou beleza você daria para quem vai iniciar ou está em tratamento? 

Claudinha: SEMPRE uso filtro solar com cor, ou BB ou CC cream, (eu alterno, dependendo a ocasião), pois gosto da maquiagem bem natural. Não saio de casa também sem corretivo nas olheiras ( até para ir na feira orgânica!), pois durante a quimio as olheiras ficam muito em evidência. Tenho de várias tonalidades, mas o que eu mais uso é o amarelo, que cobre super bem. 

Uso SEMPRE um blush para dar uma corada nas maçãs do rosto (tons terrosos para dar um ar “acabei de chegar de Fiji” e tons mais rosinhas, para fazer o estilo “olha como sou darling“). Finalizo com MUITO iluminador  (EU AMO! Esse eu sempre carrego na bolsa!) para dar um glow a mais e ficar ainda mais iluminada! Gosto dos líquidos, mas você pode também iluminar as maçãs do rosto, nariz, etc, com uma sombra clara mais pigmentada, o efeito também é ótimo!  

E adoro um delineador estilo gatinho – realça muito o olhar! Evito usar rímel, pois meus olhos ficaram muito sensíveis e também, não quero perder o risco de dar adeus aos cílios sobreviventes que me restaram. Nos dias em que fico em casa por conta da quimio, deixo do lado da minha cama uma água termal spray, que dá uma super revigorada na pele! E claro, muita hidratação no corpo com óleo e cremes com vitamina E, porque a pele fica super ressecada nessa fase.

 

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Claudinha, não temos palavras para te agradecer pela sua entrevista! Certamente você compartilhou muito mais do que dicas e truques com nossas leitoras – você compartilhou vida! Muito obrigada por tudo!

 

E sexta-feira teremos nossa última entrevista especial do Outubro Rosa! Aguardem!!!

 

Beijos,

 

Alice e Flavi 

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4 respostas para “Outubro Rosa: Claudia Schilling”

  1. Juliana Daudt disse:

    Adorei!! Flavia e Claudinha onde posso comprar estes turbantes fechados aqui em Porto Alegre? Beijoss

  2. Cristine Wuerdig Zaffari disse:

    Adoreeeeei! Que menina linda por dentro e por fora. Cheia de vida e totalmente do bem. Foi uma dádiva ler essa entrevista. Ela mostrou que se na vida nos aparece um problema (e sempre aparece) temos que encarar e enfrentar. Ela faz isto muito bem, com alegria e principalmente muita estilo. Um exemplo de que baixa resistência não é sinônimo de baixa autoestima. Na verdade, a autoestima junto com a pureza da alma é que são a cura para todos os males. Continue assim e certamente todas as forças do cosmo irão conspirar para o teu sucesso. Beijos e obrigada por ser tão inpiradora.

  3. Gislaine Trindade disse:

    companho todos os passos de blog lindo e também do projeto Camaleão. Foi um dos melhores presentes que ganhei esse ano é estar muito próxima de vidas especiais com é as dessas meninas lindas. Tu Claudinha desde a primeira vez que te conheci algo de muito bom fluiu …Tenho um carino especial por ti…Acho que vem de vidas passadas. kkkk… Lindo depoimento e muito inspirador. Não só para quem está vivendo um processo dessa doença…mas para todos os obstáculos que a vida nos oferece. Parabéns Flavinha querida!!!! Conseguiste de muitas dores e escuridão, dar um colorido unico na vida de todos nós… Podem acreditar: Isso me faz muito bem…Contem comigo nessa caminhada sempre. Beijocas.

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