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Além do Cabelo
Câncer não é escolha. Bom humor é.

16.out.2015

Outubro Rosa: Marília Marques

Por Alice Falleiro Nenhum comentário , , , , , , , , , , ,

Quem ta feliz levanta a mão! o/ É que hoje vamos dar continuidade à nossa programação especial do Outubro Rosa aqui no blog contando um pouco sobre como a camaleoa Marília driblou as mudanças ocorridas na vida dela durante o tratamento quimioterápico contra o câncer de mama. Confira essa entrevista mega especial e inspire-se!

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 Nome: Marília Marques Lopes

Idade: 49 anos

Que fase está do tratamento? Terminei as 16 sessões de quimioterapia no dia 28 de setembro de 2015.

Local em que fez o tratamento: Porto Alegre (RS).

Sua frase preferida é: “O câncer é coadjuvante na vida da gente.”

 

Além do Cabelo: Como foi para você a perda do cabelo? Você raspou antes de cair, esperou cair para raspar ou deixou o cabelo cair naturalmente sem intervir?

Marília: Depois de duas semanas da primeira sessão (25/3), os fios começaram a cair assustadoramente. Tinha que usar aspirador por toda a casa, incluindo o travesseiro.  Cortei o cabelo tipo Chanel, num sábado – fui meio desesperada ao salão e expliquei para a cabeleireira que estava em tratamento – pedi para ela ter ‘mão leve’ ao lavar e pentear. Esse corte durou uma semana e nem a metade dos 120 reais pagos por ele!… Mas não sinto que joguei dinheiro fora.  Isso foi parte do processo.

Os fios antes eram bem mais longos e difíceis de lidar caindo daquele jeito! Fiquei com uns tufos pela cabeça, mas não cortei (êta, apego brabo!). Estava ridícula, hehehe! Minha imagem lembrava a das pessoas vítimas de acidente nuclear… No dia do meu aniversário (30/4), minha irmã que veio de Brasília me incentivou a raspar a cabeça, e foi o que fiz: fui com ela num barbeiro e ele foi super!  E gastei menos da metade do que pagaria num salão… Saí dali aliviada e pronta para enfrentar o resto do tratamento. Acho que esse ato voluntário meu, de certa forma, representou o gerenciamento sobre minha situação naquele momento: EU raspei o cabelo; ele não caiu…

 

Marília foi uma das nossas modelos na exposição do Projeto Camaleão no shopping Iguatemi Porto Alegre

Marília foi uma das nossas modelos na exposição do Projeto Camaleão no shopping Iguatemi Porto Alegre

 

AdC: Você recomendaria a outras pessoas fazerem o que você fez no processo da queda de cabelo?

Marília: Cada um sabe de si. Tem necessidades e expectativas distintas. Acho que fiz o certo para mim, naquele contexto.  Me senti melhor cortando e depois raspando, mesmo que um tempo depois do início da ‘dependência química’ (como chamo a quimioterapia). Deixei a coisa rolar e ver o quanto eu aguentaria.

 

AdC: Que mudanças físicas você teve por causa do tratamento? Dentre elas, qual (ou quais) te incomoda(m) mais?

Marília: Com exceção do cabelo, nossa proteção e marca registrada, a pele ficou ressecada. As sobrancelhas caíram bem aos poucos, as costas das mãos e os cotovelos tiveram uma alergia bem feia e descamaram. Usei uma pomada com corticoide, sensacional!  Minhas unhas ficaram horríveis, mas isso somente no último mês do tratamento.  E o peso também me incomoda ainda – engordei uns 4 quilos, pois virei uma draga. As 4 sessões mensais mais pesadas tiveram determinados efeitos, mais internos (trato estomacal, com enjoos e dores, mas também ardência nos olhos).  As outras doze semanais foram mais evidentes, com esses problemas de pele e unhas. Sem dúvida, a falta de cabelo foi o que mais me afetou, apesar de eu conseguir enfrentar bem essa fase.

 

Adc: Como você prefere sair de casa? De lenço, de peruca, careca, de turbante…?

Marília: Prefiro (e ainda saio com) lenços. Perdi a conta de quantos já tenho, somando os que já tinha e os que comprei. Não me gostei de peruca. Os lenços, se bem amarrados, acabam virando não um tapa-careca, mas um acessório para o visual – e adquirem outra conotação nesse período do tratamento.  Meu cabelo já está curtinho, tem uns 3 centímetros. Dia desses cheguei à minha casa e saí com o cachorro. Resolvi trocar de lenço e usar um menor, dobrado, deixando o resto da cabeça à mostra. Foi de certa forma libertador. Na manhã seguinte já estava tonalizando no salão!

 

Nova fase: agora os lenços estão sendo usados como faixinha!

Nova fase: agora os lenços estão sendo usados como faixinha!

 

AdC: Você teve algum evento importante (casamento, formatura, festa de aniversário) para ir durante o tratamento? Que look você escolheu?

Marília: Não cheguei a passar por algum evento grandioso. Mas imaginei que, se tivesse, talvez usasse uma peruca. Fui a aniversários, menos solenes, onde usei lenço mesmo. Ganhei um cinza-prateado de uma amiga e ficou chique. Capricho na maquiagem, o que dá mais glamour! E brincos não podem faltar, nem para ir ao pilates!

 

AdC: Tem algum look que você curtiu muito e queira compartilhar conosco?

Marília: Não lembro de ter feito algo muito diferente. Saia, por exemplo, não usei.  Acho melhor e mais moderno usar calça mesmo, dá um ar casual e propicia combinações com blusas e camisas, casacos curtos ou longos.  Uma camisa ou blusa de malha complementam o look. Um sapato de salto alto também tem seu valor – muda a proposta e o humor!

 

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AdC: O que você tem feito para melhorar sua autoestima durante o tratamento?

Marília: A maquiagem não pode faltar, nesta ordem: Renew, protetor solar, BB Cream, pó mineral, blush, sobrancelhas (fiquei craque em desenhar), primer nas pálpebras, sombra marrom ou cinza com preto, lápis sob os olhos. E um batom. Isso leva uns 10 minutos, todas as manhãs. Depois, o lenço de acordo com a cor da roupa que uso no dia. Às vezes, a cor ou estampa do lenço é que me orienta na escolha de determinada roupa.

AdC: Que truques de beleza você aprendeu por causa do tratamento?

Marília: Certamente, usar a sombra e desenhar as sobrancelhas foram os mais evidentes.

 

Marilinha fazendo a maquiagem durante o Projeto Camaleão!

Marilinha fazendo a maquiagem durante o Projeto Camaleão!

 

AdC:  Você usa lenços? Qual sua amarração preferida? Como você faz para combinar o lenço com a roupa – tem alguma dica para nossas leitoras?

Marília: Uso somente lenços com amarração lateral. Às vezes deixo um pedaço puxado. Outras, faço uma trança. Para combinar, uso uma cor que pode estar na composição da cor da roupa. Se esta é monocromática, pede lenços mais coloridos. Se envolve mais cores, procuro usar lenço de uma cor só, ou de estampa miúda, mas onde predominam as cores da roupa. A maquiagem também pode combinar com a linha de cores do lenço: mais para o marrom, mais para o preto e cinza.

 

Marília com a maquiadora Luana Zinn, da equipe do Projeto Camaleão.

Marília com a maquiadora Luana Zinn, da equipe do Projeto Camaleão.

 

AdC: Você já saiu ou tem saído com peruca? Se sim, como você descreveria a sensação de sair em público pela primeira vez? Tem alguma história engraçada ou surpreendente para contar?

Marília: Nunca saí de peruca.  A sensação é de que as pessoas na rua já se acostumaram a me ver de lenço, hahahaha! E vão estranhar eu, de repente, com um cabelão!

 

Ela pode até não gostar de perucas, mas olhem como a Marília ficou LINDA!

Ela pode até não gostar de perucas, mas olhem como a Marília ficou LINDA!

 

AdC: Você já saiu careca em público? Como se sentiu? Tem alguma dica para quem quiser arrasar no look carecosa?

Marília: Nunca saí careca. Tirei o lenço no 2º encontro do Projeto Camaleão, foi uma situação especial!  Meus cabelos estavam que nem penugem de pato com alguns dias de vida. Isso foi em junho. De lá pra cá, houve grandes progressos capilares! Quem quiser sair careca, complementando a maquiagem estão os brincos, sempre chamativos, grandes ou não.

 

AdC: Que dica de maquiagem e/ou beleza você daria para quem vai iniciar ou está em tratamento?

Marília: A maquiagem pode ser mais carregada. A gente precisa resgatar coisas que temporariamente nos abandonaram. Nunca usei maquiagem muito pesada, pois não precisava… Mas na fase do tratamento, isso nos dá alento, sem contar que pode ser uma terapia ficar na frente do espelho testando cores e formas que podem nos cair bem. E isso ninguém nos tira, pois é um aprendizado para o resto da vida.

 

IG MARILIA

 

Marília, muito obrigada pelas suas dicas, pela sua ajuda e disponibilidade e por ter topado de coração tão aberto dar essa entrevista para gente e compartilhar os seus truques para manter a autoestima lá em cima durante o tratamento.

Ao longo de todo mês de Outubro vamos postar dicas e truques de mulheres que tiveram câncer de mama ou estão em tratamento como a Marília. Não percam!

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