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Além do Cabelo
Câncer não é escolha. Bom humor é.

26.dez.2016

Tchau, 2016!

Por Flavia Maoli Nenhum comentário

Sábado, dia 24 de dezembro, acordei com febre. Não com qualquer febre, com exatos 40.1ºC – daquelas febres que te fazem tremelicar de calafrio. Só não senti esses tremores porque minha temperatura corpórea estava equivalente a do ambiente – Porto Alegre no verão não é fácil, como muitos de vocês já sabem. Estou com febre desde então, exceto quando tomo algum remédio pra me ajudar a segurar essa barra que é gostar de você.

E febre é aquela alegria, né? Ainda mais no verão!

Eu resolvi interpretar isso como um protesto passivo-agressivo do meu corpo. O coitadinho está reivindicando mais horas de sono e ócio – e eu resolvi atender  suas ordens. Por isso, apesar de termos ainda longos 5 dias desse ano interminável tipo novela em que tudo muda de repente, hoje será nosso último post de 2016 aqui no Além do Cabelo (ohhhhh!).

2016, quem diria, hein?! Não ousarei fazer uma retrospectiva porque né? Deixa quieto. Para muitos, um ano de tristezas, de desemprego, de perdas. Se você começou a acompanhar o blog esse ano, existe uma grande chance de você ter encarado um diagnóstico difícil. Se você já teve algum tempo para assimilar as coisas, deve ter percebido que difícil não quer dizer, necessariamente, ruim ou triste. Dalai Lama diz que a fase de maior crescimento na vida de uma pessoa é a de maior dificuldade. Concordo plenamente.

Dalai Lama é demais!

Enfrentar um desafio que coloca nossa vida em risco, como o diagnóstico de câncer, nos faz descobrir uma coragem que até então desconhecíamos. Encoberta pela certeza de que uma vida longa e com muito ainda por vir, esquecemos de como somos frágeis e efêmeros. Parece que nosso tempo de vida é infinito – até que a gente descobre que não é.

O câncer vem meio como um aviso prévio, como se alguém te pegasse pela mão e dissesse Oi, desculpa te dizer isso, mas você é mortal. Você vai morrer. Todo mundo vai. Não precisa chorar… ou melhor, chora, chora mesmo. É difícil encarar essa realidade. Mas olha pelo lado bom: agora você já sabe que não é imortal, que seu tempo por aqui é limitado e sem garantias. Quer dizer, eu vim te entregar esse aviso prévio, mas nada garante que você não morra antes, né? Ish, tá, tá. Não quis dizer isso pra te fazer chorar de novo, viu? Mas é a verdade. Você já viu as estatísticas de acidentes em estradas? É chocante! Enfim, desculpa te assustar, mas eu só vim aqui te dizer uma coisa: bora viver?”

E é isso que eu tenho feito desde que fui diagnosticada com Linfoma de Hodgkin, em janeiro de 2011.  É claro que, às vezes, eu esqueço de tudo que passei e me pego preocupada com bobagens, caçando treta, ignorando como a vida é finita. Mas o câncer, infelizmente, é um fantasma pra vida toda – querendo ou não, você vai ter que lembrar dele cada vez que fizer um exame ou se sentir doente.  E é o meu caso atualmente: apesar de não ser nada (nem um pouco) grave, ficar acamada tem me feito repensar como eu ando cuidando de mim e da minha vida. Acho que já melhorei muiiiiiito nesses últimos quase 6 anos! Mas sei que poderia estar melhor – e eu realmente quero que esteja.

Então, para 2017, prometo mais comprometimento com minha saúde – mais atividade física, alimentação adequada e mais horas de sono e descanso. E mais comprometimento com meus objetivos de vida – mais foco no trabalho, mais horas bem aproveitadas com quem eu amo, mais viagens, mais emoções. O que eu gostaria de diminuir? Minhas horas desperdiçadas jogando no celular (convenhamos, não é descanso e também não me deixa mais sábia), minha ingestão de álcool e açúcar (não me orgulho disso, mas é um hábito dificílimo de mudar!) e minhas mil desculpas para não praticar atividade física como é recomendado (acho que ainda preciso encontrar uma que me faça bem e me encante, além da ioga).

E nos últimos meses até a ioga eu venho faltando porque – adivinha? Falta tempo na agenda. Affff, Flavia!

Então, como esse é o último post do ano, até 2017, pessoal! Muito obrigada pelo carinho que vocês me mandam, prometo que vou tentar responder todas as mensagens nesses dias de folga (olha eu já descumprindo a promessa de descansar! Hahaha). Que vocês comecem o ano novo com muito amor, carinho e com a esperança de dias melhores, sempre.

 

No mais, sem mais! Pode vir, 2017!

 

Flavi

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